Gaeco aponta relação entre ex-secretária e CEO de empresa em suposto esquema para fraudar licitação do lixo em Bauru

  • 11/09/2026
(Foto: Reprodução)
Documento do Gaeco detalha mensagens entre ex-secretária e CEO preso na Cavalo de Troia O Procedimento Investigatório Criminal do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ao qual a TV TEM teve acesso nesta sexta-feira (11), afirma que a ex-secretária de Meio Ambiente de Bauru, Cilene Bordezan, e o executivo Hamilton Libório Agle, CEO da empresa Estre Ambiental, mantinham um relacionamento amoroso enquanto, segundo a investigação, articulavam um esquema para fraudar a licitação do lixo na cidade. O documento, cujo sigilo foi retirado pela Justiça, detalha também a divisão de tarefas entre os suspeitos presos e revela que o grupo planejava cooptar vereadores para facilitar a defesa de projetos de interesse da empresa e rebater opositores na Câmara Municipal. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Gaeco aponta relação entre ex-secretária Cilene Bordezan e CEO Hamilton Libório Agle Reprodução ‘Relação amorosa’ Segundo os promotores do Gaeco, a relação amorosa entre Cilene e Hamilton permitiu que a Estre Ambiental não atuasse como uma concorrente comum, mas sim "por dentro" da própria Prefeitura de Bauru. De acordo com o Ministério Público, a empresa participava diretamente da elaboração de pareceres e documentos oficiais do município, como se fossem decisões públicas isentas. O relacionamento afetivo foi confirmado, segundo a investigação, por mensagens e por um trabalho de vigilância presencial realizado pelos investigadores. No dia 5 de agosto, agentes do Ministério Público fotografaram o carro de Hamilton estacionado em frente ao prédio onde Cilene morava. O veículo permaneceu no local durante toda a noite. Segundo o MP, o registro indica que os dois passaram a noite juntos. Relatório do MP indica que ex-secretária do Meio Ambiente de Bauru (SP) tinha relação com CEO de empresa TV TEM/Reprodução Articulação na Câmara e promessa de propina a vereador O relatório mostra que o grupo buscava apoio político dentro da Câmara Municipal de Bauru para defender o projeto da concessionária e atacar parlamentares de oposição. Em conversas por WhatsApp registradas no dia 3 de setembro de 2026, Hamilton reclama com a ex-secretária sobre os constantes ataques que o edital sofria no Poder Legislativo. "Uma das coisas que eu acho que a gente pode avaliar para as próximas. A gente precisa ter um ou dois infiltrados nossos na Câmara. Alguém que pegue a bandeira e defenda o projeto", disse o executivo. Em resposta, Cilene relata que já vinha conversando com o vereador Sandro Bussola (MDB), líder do governo na Câmara, e alinha uma estratégia para municiá-lo com pautas semanais. "A gente fez a pauta, vamos fazer uma pauta toda sexta-feira para ele e ele vai fazer essa defesa todas as segundas-feiras na sessão. Ele falou: 'quero moer o Márcio' [referindo-se ao vereador de oposição Márcio Teixeira]", disse Cilene na gravação. Ao finalizar o alinhamento da pauta política, a ex-secretária sugere a Hamilton que recompense o parlamentar: "Então, Morzinho, já vamos dar um querequezinho para esse cara". De acordo com o Ministério Público, o termo "querequezinho" seria uma referência ao pagamento de propina em dinheiro para garantir o apoio do vereador. Gaeco aponta relação entre ex-secretária e CEO de empresa em suposto esquema para fraudar licitação do lixo em Bauru TV TEM/Reprodução ‘Divisão das tarefas’ A investigação detalha uma divisão de papéis entre os envolvidos para, segundo o Gaeco, garantir que a Estre Ambiental vencesse a licitação: Cilene Bordezan (ex-secretária de Meio Ambiente): era a principal ponte entre a prefeitura e os interesses da empresa privada. Hamilton Libório Agle (CEO da Estre): comandava as ações do grupo empresarial mobilizado para assumir a concessão. Sara Moura de Jesus (ex-secretária-adjunta): cuidava da parte operacional no dia a dia da secretaria, preparando documentos e minutas de interesse da empresa. Vitor João de Freitas Costa (ex-secretário de Negócios Jurídicos): preso na operação com R$ 240 mil em espécie na própria casa, é citado em áudios atuando para buscar informações sigilosas e destravar o edital junto ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que havia suspendido a licitação por suspeita de irregularidades. O relatório aponta ainda que os investigados chegaram a levantar dados pessoais de um conselheiro do TCE-SP para tentar realizar aproximações indevidas e que pretendiam aplicar o mesmo modelo de fraude em licitações de outras cidades, como Curitiba (PR). Operação do Gaeco, com a apoio da PM, cumpriu diligências em secretarias municipais em Bauru Luís Negrelli/ TV TEM O que dizem os envolvidos O vereador Sandro Bussola (MDB) disse, em nota, que desconhece qualquer envolvimento com Hamilton Libório Agle no processo de concessão dos resíduos sólidos. Ele afirmou que durante a investigação conduzida pelo Gaeco, não foi alvo de buscas e que os encontros mantidos com ex-secretários ocorreram estritamente no âmbito político e institucional. O parlamentar ainda disse que repudia qualquer tentativa de associar a atividade parlamentar a atos ilícitos e colocou-se à disposição das autoridades. A Estre Ambiental informou que está colaborando integralmente com as investigações, prestando todos os esclarecimentos, e confirmou que não vai participar da licitação do lixo em Bauru. A empresa afirmou ainda que está adotando as providências necessárias para se desvincular do processo. A Prefeitura de Bauru reiterou que colabora com o Ministério Público, ressaltou que não há qualquer apontamento contra a prefeita e informou ter exonerado os secretários municipais citados, Cilene Bordezan, Vitor Costa e Sara Moura, além do coordenador Roldão Neto. A administração municipal também informou que abriu apurações administrativas internas. A TV TEM tenta contato com as defesas dos investigados presos, Cilene Bordezan, Hamilton Agle, Vitor Costa, Sara Moura, Gisele Moretti e Valdomiro Pereira da Silva Filho, mas não obteve retorno. Operação 'Cavalo de Troia' A Operação Cavalo de Troia foi deflagrada na quarta-feira (9) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, em conjunto com a Polícia Militar. O objetivo da ação é apurar suspeitas de fraude licitatória, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa no processo da concessão da gestão integrada de resíduos sólidos em Bauru. Operação Cavalo de Troia do Gaeco prende secretários da Prefeitura de Bauru O nome "Cavalo de Troia" faz alusão à estratégia central identificada pelos promotores: a presença, na própria cúpula da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, de agentes com vínculos econômicos e profissionais com a empresa beneficiada, permitindo direcionar as regras da disputa "por dentro" do governo. A licitação previa um contrato de 30 anos, com valor global estimado em R$ 5.259.651.116,06 — a maior contratação pública da história de Bauru —, mas o certame foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) devido a denúncias de irregularidades. Na quinta-feira (10), após audiência de custódia, a Justiça manteve a prisão temporária de sete pessoas: Cilene Chabuh Bordezan (ex-secretária de Meio Ambiente) Vitor João de Freitas Costa (ex-secretário de Negócios Jurídicos — na casa dele foram apreendidos R$ 240 mil em dinheiro vivo) Sara Moura de Jesus (ex-secretária-adjunta de Meio Ambiente) Hamilton Libório Agle (proprietário e CEO da Estre Ambiental, preso em São Paulo) Talita de Andrade Soares Chieregatti (funcionária da Estre Ambiental, presa em São Paulo) Gisele Moretti (presidente da Associação dos Catadores de Reciclagem de Bauru - Ascam) Valdomiro Pereira da Silva Filho (empresário) A Prefeitura de Bauru exonerou os três secretários presos e o coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente, Roldão Neto, além de nomear novos titulares interinos para o comando das pastas. Em paralelo às investigações do Ministério Público, a Câmara Municipal de Bauru instaurou um pedido de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar os contratos e licitações da Secretaria do Meio Ambiente. O requerimento atingiu 10 assinaturas e garante a abertura automática dos trabalhos para investigar a conduta dos agentes públicos e das empresas envolvidas. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/09/11/gaeco-aponta-relacao-entre-ex-secretaria-e-ceo-de-empresa-em-suposto-esquema-para-fraudar-licitacao-do-lixo-em-bauru.ghtml


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