Justiça nega habeas corpus e mantém prisão de ex-secretário e marido da prefeita de Bauru

  • 17/10/2026
(Foto: Reprodução)
Ex-secretário Renato Purini é preso em Bauru por suspeita de fraude na concessão do lixo O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do ex-secretário municipal de governo de Bauru (SP), Renato Purini, que também é marido da prefeita da cidade, Suéllen Rosim (PSD), preso nesta sexta-feira (16). A decisão, assinada no plantão judiciário deste sábado (17) pelo desembargador Luiz Fernando Vaggione, mantém a prisão preventiva de Purini. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp O ex-secretário foi preso em casa, em um condomínio de alto padrão onde mora com Suéllen, em um desdobramento da Operação Cavalo de Troia, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas ou de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Renato Purini chega à Central de Polícia Judiciária (CPJ) após operação do Gaeco, nesta sexta-feira (16), em Bauru (SP) Luís Negrelli/TV TEM A ação do grupo especial do Ministério Público investiga suspeita de fraude na licitação bilionária de gestão dos resíduos sólidos na cidade. A prefeita não é alvo da operação nessa fase. Após a prisão, Suéllen exonerou o marido do cargo de secretário. LEIA MAIS Gaeco apreende documentos na prefeitura de Bauru em investigação sobre fraude na licitação do lixo Vídeo mostra momento em que secretário e marido da prefeita de Bauru é levado durante operação contra fraudes em licitação Marido da prefeita de Bauru, secretário de Governo é preso em casa durante operação que investiga fraude em licitação Segundo a decisão do TJ, Renato Purini é investigado por envolvimento em crimes como organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa de agentes políticos, falsidade documental e fraude a licitações. Na solicitação de liminar, a defesa de Purini sustenta que a prisão preventiva não tem fundamentação adequada, alegando que não havia demonstração de risco à liberdade e que a aplicação de medidas cautelares alternativas seria suficiente. O ex-secretário de Governo Renato Purini, marido da prefeita de Bauru (SP), Suéllen Rosim (PSD), foi preso na manhã desta sexta-feira (16) durante operação deflagrada pelo Gaeco Redes Sociais/Reprodução No entanto, o relator indeferiu o pedido de soltura provisória. Em sua decisão, o juiz destacou a gravidade dos fatos apurados na Operação Cavalo de Troia. Segundo o desembargador, escutas, registros telefônicos e mensagens obtidos com autorização judicial indicam que o ex-secretário usou o cargo público para interferir em licitações, atuando no monitoramento e na coação de parlamentares municipais com o objetivo de conseguir a aprovação do projeto que favorecia a Estre Ambiental. A decisão apontou também haver indícios de que o ex-secretário solicitou e recebeu vantagens financeiras indevidas. Mensagens interceptadas Renato passa o contato do advogado para Cilene Chabuh Bordezan e cobra o fato de ninguém ter falado com o defensor até aquele momento. TV TEM/Reprodução Segundo as investigações, mensagens interceptadas indicam que Purini teria recebido pagamentos da empresa Estre Ambiental para articular apoio político e influenciar os bastidores da votação do projeto na Câmara Municipal. De acordo com o Ministério Público, os supostos repasses a Purini eram feitos por meio de um intermediário, numa tentativa de ocultar a origem e a finalidade do dinheiro. A Estre transferia valores ao advogado Marcos Libanore Caldeira sob a justificativa de pagamentos por serviços jurídicos. Depois, segundo a investigação, o advogado repassava as quantias ao ex-secretário. Em uma das conversas interceptadas, em 2025, Purini enviou o contato do advogado à então secretária municipal do Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, e reclamou que ninguém havia procurado o defensor. Cilene encaminhou a mensagem ao CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, que se identificou como amigo do marido da prefeita e marcou um encontro com o advogado. A investigação identificou que a Estre chegou a emitir uma nota fiscal de R$ 750 mil para o escritório do advogado. Para o Gaeco, há indícios de que o pagamento não foi um episódio isolado, mas parte de uma remuneração recorrente que teria como destinatário final Purini. Em outra conversa, o ex-secretário teria cobrado um valor adicional de R$ 90 mil. Segundo os investigadores, Purini e Cilene usavam expressões relacionadas a honorários advocatícios para disfarçar a natureza dos pagamentos. Nas mensagens encaminhadas aos executivos da empresa, porém, a então secretária indicava que os valores seriam destinados diretamente a Purini. O MP apontou que haveria uma remuneração recorrente a Renato. TV TEM/Reprodução Em algumas ocasiões, Cilene dizia a Hamilton que Purini havia entrado em contato para cobrar os repasses. Ela também mencionava que “a chefa” cobrava informações sobre o andamento do processo. Conversas entre Cilene e Hamilton cobrança de Purini TV TEM/Reprodução Articulação para aprovar projeto na Câmara Em dezembro de 2025, durante a votação do projeto de concessão dos serviços de gestão do lixo, ele e Cilene teriam discutido estratégias para acelerar a aprovação da proposta na Câmara Municipal, durante uma mesma sessão legislativa. Mensagens demonstram que Purini realizava fiscalização do comportamento dos vereadores TV TEM/Reprodução Nas conversas, Purini afirmou que acompanhava de perto a movimentação dos vereadores e disse ter se reunido com nove parlamentares na véspera da votação. Em uma das mensagens, reclamou que precisou segurar dois vereadores no estacionamento da Câmara para pressionar pela aprovação do projeto. Os diálogos também mencionam a vereadora Estela Almagro (PT), que, segundo as mensagens descritas na investigação, teria recebido dinheiro para viajar no dia da votação, mas acabou não deixando a cidade. Conversas citam a vereadora Estela Almagro TV TEM/Reprodução Em outro trecho, Purini criticou o presidente da Câmara, Markinho Souza (MDB), a quem chamou de “muito fraco” pela demora na condução dos debates. Cilene concordou com a avaliação. Procurada pela TV TEM para comentar as menções ao seu nome na investigação do Gaeco, a vereadora Estela Almagro (PT) não se posicionou até a publicação desta matéria. Nova fase da operação A investigação mira um suposto esquema criminoso relacionado à estruturação e à condução da concessão dos serviços de resíduos sólidos em Bauru, envolvendo contrato estimado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões, com duração prevista de 30 anos, além de possíveis ajustes com vereadores. Renato Purini foi levado para a Prefeitura de Bauru durante ação do Gaeco nesta sexta-feira (16) Carlos Torrente/TV TEM Purini foi preso no condomínio de alto padrão onde mora com Suéllen Rosim e depois foi junto com a equipe do Gaeco que cumpriu mandados de busca e apreensão na sala dele na prefeitura. Após o cumprimento dos mandados, o ex-secretário foi levado para Central de Polícia Judiciária e teve a prisão preventiva confirmada em audiência de custódia. Ele foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória de Bauru. Vídeo mostra momento em que secretário e marido da prefeita de Bauru (SP) é levado durante operação contra fraudes em licitação Reprodução/TV TEM A nova fase da Cavalo de Troia decorre da evolução na análise de provas obtidas durante sua primeira etapa, especialmente das mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos. Elas revelaram indícios da participação de outros agentes públicos e particulares nas práticas investigadas. As investigações prosseguem, inclusive para a apuração de outros possíveis delitos e a identificação de eventuais participantes ainda não alcançados pelas medidas judiciais. Como as investigações começaram Marido da prefeita de Bauru e secretário, Renato Purini é preso em casa durante operação do Gaeco TV TEM As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público começaram em março a partir de denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis da Ascam. Segundo as apurações, Valdomiro Pereira da Silva Filho, marido da então presidente da Ascam, tinha ligação com uma facção criminosa e usava a influência para intimidar os trabalhadores da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis, que mantinha contratos de mais de R$ 5 milhões com a Prefeitura de Bauru com dispensa de licitação. Marido da prefeita de Bauru e secretário é preso em casa durante operação do Gaeco A partir do monitoramento de ligações de Valdomiro e da esposa dele, Gisele Moretti, presidente da associação, o Ministério Público descobriu que o casal também articulava esquemas para pedir propinas e interferir na licitação da gestão do lixo na cidade. A interceptação das conversas revelou a participação de secretários municipais e executivos de empresas, o que levou à deflagração de duas operações paralelas promovidas pelo Gaeco com o apoio da Polícia Militar. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão e resultou na prisão temporária de sete pessoas em fases anteriores, duas delas, presas na Operação Mobius, já foram liberadas. As demais, presas na Operação Cavalo de Troia, permanecem presas, uma delas em prisão domiciliar. São elas: Cilene Chabuh Bordezan: ex-secretária municipal de Meio Ambiente; Vitor João de Freitas Costa: ex-secretário municipal de Negócios Jurídicos; Sara Moura de Jesus: ex-secretária-adjunta de Meio Ambiente; Hamilton Libório Agle: proprietário e CEO da empresa Estre Ambiental; Talita de Andrade Soares Chieregatti: funcionária da Estre Ambiental (em prisão domiciliar). Gisele Moretti, ex- presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam); e Valdomiro Pereira da Silva Filho, empresário e marido de Gisele Moretti, foram liberados. Operação Cavalo de Troia A Operação Cavalo de Troia investiga o esquema para fraudar a licitação da concessão do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos de Bauru, projetada para durar 30 anos e avaliada em R$ 5,2 bilhões, o maior contrato da história do município. A apuração aponta que o grupo atuava para direcionar as regras do edital a favor da empresa Estre Ambiental por meio de pessoas infiltradas na administração municipal. Segundo o Ministério Público, a então secretária de Meio Ambiente, Cilene Bordezan, mantinha um relacionamento amoroso com o CEO da empresa, Hamilton Libório Agle, o que permitia que a concessionária elaborasse documentos e pareceres oficiais de dentro do próprio governo. Gaeco aponta relação entre ex-secretária Cilene Bordezan e CEO Hamilton Libório Agle Reprodução Um dos presos conseguiu prisão domiciliar A funcionária da Estre, Talita Andrade, acusada de ser uma das envolvidas na organização criminosa montada para fraudar a concessão do lixo de Bauru, deixou a penitenciária e está cumprindo prisão domiciliar. A mudança foi comunicada na quinta-feira (15) pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). A acusada deixou a penitenciária feminina Sant´Ana no início de outubro, após decisão da Justiça. Ela tinha sido transferida para a unidade no final de setembro, depois que teve a prisão convertida em preventiva. A defesa de Talita já vinha pedindo a prisão domiciliar por causa de uma doença da acusada e também pelo sofrimento da filha. A TV TEM questionou a SAP sobre os outros quatro presos que, até a última atualização, estavam detidos em unidades prisionais. Já o ex-consultor da Fipe, Mário Luiz, estava foragido. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/10/17/justica-nega-habeas-corpus-e-mantem-prisao-de-ex-secretario-e-marido-da-prefeita-de-bauru.ghtml


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